sábado, 22 de novembro de 2008

Noite.


Ahhhhhh a noite! Preferida dos poetas, dos vagabundos, dos que dizem que sabem aproveitar a vida... Muito esperada por aqueles que trabalham o dia inteiro, sinônimo de descanso, de mistério, de perigo, de diversão.

Mas pra um adolescente que ainda nem prestou o vestibular, a noite significa só uma coisa: você pensa. E muito. Antes de conseguir pegar no sono, você pensou no curso que quer fazer até o dia da sua aposentadoria.

Não sei quanto a vocês, mas isso me desanima. Isso porque perto do que eu quero para minha vida, ainda não fiz nada. Perto de qualquer coisa, eu ainda não fiz nada. Passei um ano praticamente descansando de tanta pressão, de gente que pensava que eu fosse uma pessoa inteligente e que sairia do ensino médio e no mínimo já estaria trabalhando e ganhando muito bem. Mas como? Eu não tenho auto-estima para conseguir pensar que tenho capacidade pra tal coisa, e nem qualificação. Eu não tenho nem certeza de que quero ter uma vida normal mesmo. Se eu fosse menos covarde, já estaria viajando pelo mundo afora com uma mochila nas costas.

Parece meio louco pensar assim, mas seria bom pra mim ter uma coisas dessas no 'currículo', se é que vocês me entendem. Ninguém chega a um lugar tão alto sem antes ter passado por uma dificuldade, sem ter feito uma loucura, jogado tudo pro alto. Parabéns, Dayse. Você não tem coragem de jogar fora nem o papelzinho de bombom que alguém lhe dá. Santa paciência!

Bom, como eu não vou virar a mulher maravilha do dia pra noite, vou tentar pelo menos me deprimir menos, e começar a estudar mais, e acreditar um pouco que seja, mais na minha capacidade, senão, eu não vou sair desse buraco que minha mãe diz que eu deveria agradecer a Deus por morar!

Mas pensar e pensar não adianta nada! Eu quero conseguir dormir a noite, porra! Dormir, sem precisar acordar de madrugada e ficar horas pensando que eu sou a criatura mais inútil do mundo. Agora eu acredito nessa ditado: cabeça vazia, oficina do diabo. Por minha conta, ele já teria uma multinacional! ¬¬''

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ontem, dia da consciência negra

Ontem foi dia da consciência negra e aniversário de uma prima, negra, aliás. Não é motivo para orgulho um negro (principalmente) nascer em um dia tão especial? Não para todos eles. Isso porque, quando se fala de preconceito, infelizmente não é só do branco com o o negro, ou do europeu com o índio, ou seja lá o que for. Se fala do preconceito do negro com o negro.

Gabi fez ontem 5 anos, o pai é negro, a mãe e boa parte da família materna, branca dos olhos claros. Mas será que é isso que faz essa criança pedir a mãe: '"Quando eu crescer você me pinta de rosa?" Ela tem 5 anos e já diz que quer alisar o cabelo, e que não quer uma boneca tão moreninha assim, e que não gosta tanto de brincar com crianças da sua cor.

E nós tentamos o tempo todo convencê-la de que ela é linda do jeito que é, que ser negro não é defeito, que todo mundo é igual, que melanina não faz diferença. E ela nem gosta de ouvir falar do assunto... Será que já se nasce racista?!

Não, por favor! A explicação mais plausível, pelo menos até agora, é de que ela quer se parecer um pouco mais com a família materna, já que não tem tanto contato assim com a família do pai. É pelo menos no que eu quero acreditar! =[

Espero que daqui uns anos ela tenha orgulho de ter nascido no dia 20 de novembro, eu espero que ela não pense assim o resto da vida.

E espero que outras pessoas também não pensem assim o resto da vida. O que me dá uma idéia. Brasileiro gosta tanto de imitar norte-americano! Então por que não imita nisso também?! Por que não aprende que todo mundo é igual e tem a mesma capacidade?!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sim, estamos acomodados


Todo o dia eu vejo por aí gente falando que o planeta está sendo destruído, que desmatar a Amazônia é uma absurdo, que o racismo é uma burrice. Mas francamente... alguém tá preocupado em mudar isso, fazer alguma coisa mesmo?!

Os jovens da nossa geração, começando por mim, são uns preguiçosos, uns acomodados, que não se preocupam com o futuro, apesar de estarem se matando pra conseguir uma vaga num concurso público.

Somos burros, e não vemos que se continuarmos agindo assim (só falando e falando e falando), não vai adiantar muita coisa estudar tanto, querer ter tanto status na vida. O que é preciso, então, pra mudar esse quadro?

É preciso agir. A floresta não vai deixar de ser desmatada se você continuar dizendo pra pessoa do seu lado que não concorda, o racismo não vai acabar se você continuar com medo de um negro no beco escuro. O que precisamos é esquecer certas coisas aprendidas na vida, como aquela velha história 'se ele não faz a parte dele, eu também não faço a minha'.

Certa vez o Renato Russo disse algo que me chamou a atenção: 'tem tanta gente aí querendo mudar o mundo, então por que não começamos por nós?'

As pessoas estão cada vez mais incrédulas. Em si, em seus sonhos, em melhoras , mesmo. Claro que sempre vai ter um filho da puta pra estragar as coisas, pra não fazer o que deve, pra não se importar. Mas eu prefiro pensar que eu não vou ser mais um filho da puta, e vou começar por mim, mesmo que pareça muito pouco até achar que todo mundo é igual.


ps: esse assunto é bem abrangente, imagino que o abordarei mais vezes.