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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O eu e o mundo




















Eu tenho medo de perder as coisas das quais me orgulho...
Alguns dos meus gostos, que eu não divido com todos os meus amigos,
A música que eu admiro,
Os livros que mexem comigo, os espíritos com quem eu sonho.

O tempo vai avançando
Parece que está levando a minha vontade de lutar,
O grito intalado na minha garganta
Aquela estória que eu tinha de adivinhar as coisas
Aquele sonho que eu tinha de revolucionar e intrigar as pessoas

Será que eu estou sendo vencida pela cansaço?
(No caso, pela rotina, pelo salário mínimo, pelos horários)
Será que eu estou sentada incondicionalmente em cima da minha coragem?

Eu to olhando pro mundo. Mas ele não está olhando de volta pra mim.
Estou presa dentro de uma casa de espelhos. E cada um deles me mostra numa hora determinada no meu dia.
Hoje estou preguiçosa, meio saudosista.
Eu to com medo. Queria que tivesse alguém aqui pra me dizer que to fazendo alguma coisa a mais do que todas essas pessoas monótonas que vivem comigo.

Parece que deitar chama mais o cansaço.
Eu estou pensando em círculos.
Mais um sonho estranho fez rodar minha cabeça.
O que será que eu tenho que buscar?
Eram todos jovens, revolucionários, e me faziam pensar que eu estava estagnado.

O que será que eu estou esperando que aconteça?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Dose de narcisismo


Desconheço as razões pelas quais algumas coisas que não costumavam fazer parte da minha linha de raciocínio estão presentes agora, se é a maioridade, se são as situações que eu e algumas pessoas próximas têm passado...

Mas as razões não fazem diferença. A questão é que venho notado que uma dose de narcisismo não faz mal a ninguém. Admito que essa opinião pode parecer estranha aos olhos dos que me conhecem um pouco melhor, mas deixem-me explicar.

As pessoas que geralmente não são dotadas daquela auto-estima nata têm a tendência de serem mais preocupadas com as opiniões que os outros possam ter delas. São mais agradáveis, mais tolerantes, fáceis de lidar, conseqüentemente. Mas sempre existe alguém que percebe essas boas intenções, e não tão bem intencionado, acaba se aproveitando dessa boa vontade, e agindo de forma nem sempre correta.

E os tolerantes aceitam, acabam sendo usados, e no fim das contas, aquela pessoa a quem consideravam tanto as deixa de lado, com seus sofrimentos e suas mágoas. E o que resta a essa pessoa a não ser se lamentar de sua sorte, e ainda por cima se sentir culpada pelo abandono que sofreu?

Por isso que nessa hora uma dose de narcisismo faz bem. Não aprovar certas atitudes, impedir que certas coisas aconteçam é fundamental para a própria felicidade. Ter medo de dizer não, fazer coisas que não se faria normalmente com medo de ferir só faz com que a dor mude de foco. O segredo de preservar relacionamentos não está em aceitar incondicionalmente, mas sim em respeitar e impor limites.

O relacionamento é uma coisa naturalmente difícil. Deixar tudo passar não significa que as coisa vão bem, muito pelo contrário, mais cedo ou mais tarde tudo cai por água abaixo, e aí, a quem culpar?

Sem falar na falsa idéia de quantidade. Vejo gente por aí dizendo ter muitos amigos, mas será que são pessoas com quem se possa contar? É preferível ter amigos que se contem nos dedos, a ter milhares, com quem não se possa contar num momento de necessidade.

E tem também o tempo para si mesmo. Pra ficar sozinho, pensar sobre a própria vida, as próprias atitudes, o comportamento. A vantagem na reflexão consiste numa maior visão do interior. É mais fácil reconhecer erros e tomar decisões sensatas quando se pensa bem nas coisas, quando temos mais certezas.

Ter certezas não é uma coisa fácil, mas também não é fácil estar num problema por falta de coragem de ser sincero e fazer as coisas. Quem tem que fazer algo pela sua felicidade é você. E ser feliz não significa ter que prejudicar ninguém.